Há dias dei por mim a dizer, como verdade incontestável, que as pessoas não mudam. Concordaram comigo, mas ressalvaram que as pessoas parecem mudar, porque têm "fases". Mas o que são as fases, mais do que as várias faces de um mesmo ser? Nem sei se considero fases como algo isolado, como essa minha amiga me dava a entender. Uma fase é uma exacerbação de uma qualquer particularidade da nossa essência. Essência essa que não creio que mude. E no entanto... passamos boa parte da vida a tentar mudar a nossa e a dos outros. Achamos sempre que o namorado abusivo vai mudar e tornar-se mais carinhoso, que a mãe negligente nos vai passar a dar atenção com o passar dos anos, que o amigo vai passar a ter mais consideração por nós e dar valor a quem o trata bem. A besta da realidade é que mesmo que tudo pareça ter mudado, basta um clique, um acontecimento que retire a pessoa do aparente controlo que tem sobre os seus comportamentos, e os velhos hábitos voltam como se nunca se tivessem ausentado. Permaneceram dormentes, aninhados nas profundezas do ser, apenas à espera que a farsa caísse. Por isso não, não acredito que as pessoas mudem. Apenas desenvolvem uma extrema capacidade de mentir, por vezes até a si próprias.
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11 de julho de 2013
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30 de maio de 2013
Tentar prever o imprevisível por defeito. Doce amargo reservado aos mártires da alma, apenas pelas suas próprias mãos. Não há pior loucura do que pensar que tudo poderia ter sido diferente do que alguma vez foi, apenas porque se falhou na previsão. Já aqui o disse, se o passado não nos pertence, o futuro tão pouco mora no regaço do nosso controlo desenfreado. Tentar saber a ordem das coisas, quando as coisas não têm lugar definido ou sentido atribuído, antever saber sem fazer ideia do que se está a adivinhar é passatempo ou dos muito leves, ou muito pesados de alma. Saiu gorado. Sairá sempre enquanto se viver sob a ilusão de que tudo é passível de ser manipulado, que o mundo se rege pelas mesmas regras contraditórias que impomos a nós próprios. Ó (des)razão retorcida, que sempre pelas mesmas torrentes de pensamento me afogas. Não se respira com este peso nos pulmões, inundados de fachada. Afinal, vivemos duas vidas: aquela que tem um guião escrito pela nossa própria utopia e aquela que o mundo nos impõe pela força.
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12 de fevereiro de 2012
Where am I?
Hell be damned, I have no idea. I open the shutters just a little bit, trusting my eyes will adapt to the early morning rays of light. When I feel safe enough to remove my sunglasses, I get my freaking retinas burnt in a flash. Fuck. Since I'm blind, I'll just burst the window open. Can't do me any harm, right?
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