24 de outubro de 2012

Como fazer uma boa acção e ficar irritado com uma geração ao mesmo tempo

Uma pessoa sai do comboio carregadíssima de malas e malinhas, parecendo efectivamente uma Turtle em todo o seu parco esplendor, e só lhe apetece ver o elevador à frente para evitar mais uns passos do que os estritamente necessários. Uma pessoa consegue entrar no apinhado elevador mesmo à justa e, antes de poder respirar fundo, vê uma senhora, dos seus 70 anos talvez, chegar à porta do elevador e perguntar "Cabem mais duas?". Vendo que era uma senhora de idade, digo generosamente "Deixe estar, entre a senhora que eu saio!" e saio do elevador, já a pensar que não me apetecia nada descer as escadas, mas que era por uma boa causa. E o que é que se ouve da boca da dita senhora? "Ó Rita (outra senhora, mas bastante mais nova) anda cá!!". O "obrigada" deve ter ficado preso nos 3 quilos de laca. Por isso, não me venham dizer que os velhotes são todos fofinhos, porque não são. 

17 de outubro de 2012

Pessoas. Peixes. Isco. Profundezas. Metáforas.

Pessoas. Pessoas que não sabem o que querem. Que não estimam o que têm, enquanto o têm verdadeiramente. Pessoas que não conhecem o peso da culpa, o esgar da desconfiança que provocam, a pontada da dor que infligem. Só se interessam pelo seu bem-estar, pela sua dor, pela sua integridade, pela sua vontade e pelo que lhes dá na real gana. Pessoas que não são mais que pescadores de conveniências. Eventualmente, até o mais incauto dos peixes aprende que daquele isco não sai alimento de espécie alguma e foge para as profundezas do oceano. É então que o pescador, vendo a sua teimosia a ser desafiada, decide vestir o fato de mergulho, apenas para provar a sua suposta superioridade e levar a sua vontade avante. O peixe desapareceu, o pescador aumenta e embeleza o engodo. Engole-o tu, diz o peixe. Pode ser que te fique preso na garganta.

Aquele momento em que...

Descobres que afinal não és tu que és má e que só vês os defeitos das pessoas. Segunda oportunidade dada. Resultado: Bitches will be bitches.

15 de outubro de 2012

E é isto que eu tenho de aturar.

O meu pai entra no meu quarto e, ao ver-me com um ar de frete a olhar para o pc, resolve fazer a seguinte conversa:

pai- Então, tens dado matéria?
eu (a tentar acreditar que tinha acabado de ouvir aquilo) - Não pai, os professores estão lá só a passear!!
pai - Mas tens tido práticas? Ou só teóricas?
eu - Mas que raio de pergunta! Obviamente que tenho tido práticas, o que achas que vou lá fazer todos os dias? (e o meu pai está careca de saber que eu NÃO VOU às teóricas)
pai - E eu sei lá se andas a ter práticas ou só teóricas!! Não tenho obrigação de saber isso!!

E sai do quarto a assoprar.

Esta conversa teria algum sentido se eu estivesse no meu primeiro ano de faculdade e na primeira semana. No quinto ano e já a meio de Outubro torna-se um teste à minha paciência...

28 de setembro de 2012

Os verdadeiros inventores da mentira

São, sem sombra para dúvidas, os treinadores de ginásio. "Só mais 8" significa "vão fazer mais 32", "é a última!" quer dizer "é a última das repetições, porque a seguir vais ficar em posição de agachamento durante dois mil anos".

Nem quero imaginar como vou conseguir descer as escadas amanhã para chegar à cozinha. Acho que vou ficar a jejum.

22 de setembro de 2012

Aptidão inata para a asneira.

Ontem, em conversa com a minha irmã:

Eu: Mana, quanto pagas pelo ginásio?
Irmã: Pago X€ por duas vezes por semana.
Eu: Sabias que podes pagar menos por seres filha da mãe?
(facefreeze da minha irmã a olhar para mim)
Eu: Isto saiu-me um bocado mal, não saiu?

(Explicação: a entidade empregadora da minha mãe tem convenção com aquele ginásio e usufrui de desconto, extensível aos filhos)

Agora digam lá que eu não tenho todo um potencial para fazer um discurso público desastroso. 

10 de setembro de 2012

When the right thing is to act the wrong way.

Andei a pensar. Eu penso demasiado. Aliás, passo a vida nisso, a pensar na coisa certa a fazer, até na coisa certa a pensar. E, na maioria das vezes, como seria de prever, estrago(me) tudo. Somos moldados a ser melhores, a almejar sermos Maiores, mais cultos, mais sábios, mais conscientes, mais humanos. Ponderar e tomar a atitude certa, agir de acordo com um certo padrão de valores, mesmo que isso signifique anular um pouco do nosso ser, engolir o nosso orgulho e deixar feridas abertas, para sararem com o tempo e nada mais, tudo em nome da "coisa certa a fazer". Contudo, a atitude certa pode ser precisamente tudo o que a antagoniza: nada menos que... a coisa errada a fazer. Errada porque é egoísta, não passa de uma posição fria e calculista. Seguir o caminho mais fácil, e não o caminho dos justos e honrados. Porque vai contra tudo o que alguma vez nos propusemos a ser. A solução é, por mais estranho e estúpido que pareça, precisamente ser o mais desumano possível. É a única que nos salvaguarda, que protege o nosso âmago e que não nos deixa cair em abismos de onde poderemos nunca regressar, porque a outra parte da equação insiste em puxar a corda. Que nos deixa sentir o que devemos, à altura certa, na quantidade certa, sem ter forças externas e moralistas a moldar o que deveríamos passar, ao invés de estarmos confinados a sentir por defeito, a obrigarmos a alma a passar por labirintos e martírios que não lhe pertencem. A única que nos traz menos dor e um alívio mais célere. Por vezes, e apenas por vezes, o certo é fazer o errado. Porque a coisa certa a fazer só o é, quando o mundo o permite. 

18 de agosto de 2012

Modernices que o tempo da Maria Caxuxa não permitia

Conhecer família pelo Facebook. Eu, que tenho uma família bem alargada, não conheço nem um quinto. Só em primos e primas dos meus pais, dava para encher o Coliseu dos Recreios!

O tipo de coisas que me fazem rir


(E que me fazem ver a série, que o rapaz não é nada que se deite fora!)

1 de agosto de 2012

Ao que chegámos, senhores, ao que chegámos!

Eu juro que ia tendo um ataque cardíaco quando vi isto. Mas não têm mais onde espatifar o dinheiro do que em filmes ranhosos com actores que não têm nada mais do que dois palminhos de cara e um corpinho bem feito, numa intriga do mais sensaborona e artificial possível e que só serve para promover os jovens imberbes para uma carreira de estrelato brejeiro? Já não basta a novela, ainda temos de levar com o filme? Daqui a nada também fazem um filme do Preço Certo. Isto é um insulto à inteligência das pessoas. Já quanto às carteiras, deve ser uma espécie de private joke entre elas...