30 de dezembro de 2011

2012 - the clock is ticking

Dizem que é o ano em que o mundo como o conhecemos vai acabar. Porra, e eu que já tive um 2011 de merda, não sei que mais me vai cair em cima. Talvez um piano, como naquele anúncio da Nespresso com o George Clooney. Assim sendo, sigo a estratégia dele: tenho de fazer um negócio com God Almighty. Mas não troco as cápsulas. Essas são minhas.

Caro God Almighty,

Muito bem, apesar de teres conseguido com que a família tivesse chegado ao final deste ano toda junta, mesmo depois de teres lançado raios, de teres mandado tsunamis, de teres cortado a electricidade e de ter tido uma experiência de quase-morte (sentido literário, atenção), acho que está na hora de fazeres valer aquela coisa do "depois da tempestade, vem a bonança". É que já não há nem guarda-chuvas nem Arca de Noé que aguente as tuas neuras, man. Escolhe outro. Há por aí muito imbecil com o rabo virado para a lua para ser alvo dos teus desatinos em dias de TPM da tua esposa. Eu sei, blá blá blá, crescimento pessoal, blá blá blá, evolução, mas dá um descanso em 2012, sim? Ensina-me algo que ainda não saiba. É isso que quero. E não vale a cena do "perdoar", que eu já fiz isso e só fez pior. Ensina o que é "respeito" e "honestidade" a alguns, "generosidade" a outros, "dignidade", "amizade" a tantos outros e a todos, o que é "Amor" a todos. É disso que precisamos, em doses industriais. Portanto, se fizeres o obséquio, ficar-te-ia muito grata. Se acrescentares um tipo giro e boa pessoa à equação, assim feito à minha medida, até prometo que deixo de te chatear tanto!

Cumprimentos,

Turtle


Agora que já disparatei tudo, vamos falar mais a sério:

The clock is ticking, my friends. Digam o que ficou por dizer, arrumem a vossa cabeça e a vossa vida. Eu já arrumei a minha vida, falta arrumar a minha cabeça. Conto comigo e com algumas pessoas-chave para me ajudarem no processo. Façam o mesmo. Aproveitem e tomem algumas decisões durante as 12 badaladas, em vez de comerem passas, esperando que tudo vos caia no colo. Transformem-se. Conheçam-se. Façam alguma coisa, para além de contemplar o fogo de artifício e apanharem uma bezana descomunal. Ou apanhem a bezana, mas que ela sirva para alguma coisa mais (as minhas têm tendência a ser muito úteis) do que arruinar o fígado. Este é apenas mais um dia no calendário, a Terra não se lembrará dele e vocês também não, se não o tornarem de algum modo especial e significativo, um verdadeiro dia de passagem. Feliz 2012, minha gente.

28 de dezembro de 2011

Desilusão

Se virmos bem a palavra, para haver uma DESilusão, tem de existir previamente uma ilusão, seja esta mais ou menos bem construída. O facto é que tudo tem potencial para ser uma desilusão, mas é nas pessoas que este sentimento toma maiores proporções. A alma fere-se tanto mais quanto maior tenha sido a importância dessa pessoa na nossa ilusão colectiva que é a Vida, e não há nada que a possa reparar completamente de tamanho dano. Hoje, a minha alma feriu-se uma vez mais. Não tenho medo. Não me arrependo. Quero que a cicatriz lá fique. No fundo, todo o detentor e orgulhoso produtor de uma ilusão sabe que ela um dia terá um fim, conhece-lhe todas as falhas que tenta desesperadamente tapar. Um bocadinho de tecido aqui, um improviso ali, algo mal engendrado acolá e já está, mantêm-se a ilusão e tudo está bem. Só que não está, ninguém melhor para o saber. Sem querer, sabotamos o nosso próprio espectáculo, vendemos bilhetes para uma encenação mal feita, sabemos que o actor principal vai aparecer bêbedo ou não aparecer de todo. Ou não se vai recordar das falas. Oh, as falas, que com tanto amor escrevemos e que nunca são ditas com o sentimento que lhes queríamos, cegamente, ver impresso. Palavras são palavras, mas são o artífice mais poderoso que temos quando o coração faz visitas frequentes à enfermaria. Cura-se o coração, mas adia-se o desfazer inevitável da ilusão. Oh, mas ela espera-nos, como uma bênção disfarçada. Hoje esbarrei nela. E ainda bem. Está na altura de encerrar o espectáculo.

26 de dezembro de 2011

Save it, please

Este ano fiz greve às mensagens de Natal. Não por estarmos em crise e ter de as pagar (porque não tenho, tem de haver vantagens em ter dois telemóveis de redes diferentes), mas porque não é por receberem uma mensagem minha com uma coisa qualquer genérica e feita para ter piada que o Natal de alguém vai ser melhor. Obviamente que respondi a quem me mandou a mim, mas fiquei por aí mesmo. Sei que aquelas pessoas a quem mandaria a dita mensagem sentem que eu lhes desejo um bom Natal e tudo isso, não precisam que lhes diga. Elas sentem e eu também sinto que me desejam o mesmo, ainda que também de algumas não tenha recebido nada. Porque se levo um ano inteiro a querer-lhes bem, não era agora que me ia estar nas tintas. De qualquer das maneiras, o Natal é algo para se passar em família e basta querermos para que seja bem passado. Não são precisas nem prendas, nem mensagens, nem comida e nem bebida, apenas boa disposição e que se entre no espírito. Só para terem uma ideia, neste Natal eu, com 21 anos, andei às cavalitas da minha irmã, que tem 29, a fazê-la de cavalinho como se fôssemos duas crianças. O que nós nos rimos. E sabem que mais? Nenhuma mensagem de Natal me poderia ter dado isso.

23 de dezembro de 2011

Quando três têm um pressentimento de que não deves sair de casa (incluindo tu)...

É porque têm toda a razão do mundo

Tudo apontava para a desgraça. Tinha um pressentimento de que algo ia correr mal hoje. Ao sair de casa, o meu pai chama-me e diz "portas bem trancadas..." com ar de quem queria dizer algo mais, mas que estava a retrair. Despeço-me da minha mãe que me diz, com ar de quem adivinha chuva, "não chegues tarde". Não liguei, apetecia-me ir beber café (uma chapada à Turtle do passado nesta altura não tinha feito mal nenhum). Desço para a garagem. Tento abrir a porta que dá acesso à garagem, a chave não roda. Percebo que era a chave errada. Entro na garagem, nenhuma luz acende. Ando lá a cirandar a ver se alguma acende, nada. Tento abrir o portão da minha garagem (completamente às escuras), o comando não acciona. Dez vezes depois (já depois de ter palpado a pilha para me certificar que estava no sítio) lá acciona e o portão abre. Entro no carro, ajeito tudo a meu gosto, marcha-atrás. Acelerador, o carro não anda. Porra, ficou mal engatada. Lá saio da minha garagem sem mais percalços. Primeira mudança para seguir caminho em direcção ao portão maior, acelerador, o carro não anda. Ai que merda, será que hoje não consigo engatar uma simples mudança para sair daqui??? Lá andou. Direcciono-me ao portão de saída. Posiciono o carro a jeito para arrancar quando o portão estiver aberto. Arranco e só oiço CRRRRRRRRRRR. Foda-se. Sem asteriscos. Logo nas portas que tinhamos mandado pintar há uma semana. 

E foi esta, meus caros, a minha rica prenda de natal. Para o ano não quero nada, sim?

19 de dezembro de 2011

Coro de Natal da Umbigosfera 2011



Algures aqui pelo meio está aqui a Turtle e a CurlyGirl!! Quem adivinha (é gritantemente fácil, para dizer a verdade...)?

E um agradecimento à Miss Murder por ter levado esta gente toda atrás de uma visão natalícia :)

14 de dezembro de 2011

Alto e pára o baile!

Às duas alminhas que cá vieram parar com as seguintes pesquisas:

"vendo minhas cuequinhas"

"monte de merda"

Um bem haja. Finalmente posso dizer que sou uma real blogger e não uma aprendiz, porque já tenho pesquisadores a entrar aqui porque querem vender cuecas (altamente higiénico!) ou porque, vá-se lá saber porquê, estão interessados em montes de merda (há gostos para tudo). Uns badalhocos, vocês, é o que tenho para vos dizer. O "coisas que tal" no nome do blog não inclui nem merda nem cuequinhas, mas obrigada na mesma! Valeu pela gargalhada que dei!!

(e é bom que isto não seja uma indirecta para a qualidade deste blog -.-' )

12 de dezembro de 2011

For no particular reason at all

Dei por mim a cantar isto enquanto tratava das lides da ave rara cá de casa. Traz-me memórias, boas memórias, daquelas que é bom que se repitam. E não, não tem nada a ver com a letra da música, mas antes com bons momentos de amizade, animação, despreocupação, sorrisos e com uma noite que foi nossa.

5 de dezembro de 2011

Be the one - intoxica-me.



I'll never see what you wanted... love
I was the hell that you needed... oh
I was the one when you needed love
I was the one when you needed love

24 de novembro de 2011

A verdade é que...

Tenho saudades. Tenho saudades do tempo em que nada era mais importante do que um ovo Kinder ao lanche, comprado no café ao pé do parque infantil. Em que o maior raspanete que apanhava era por ficar até as 9h da noite a andar de bicicleta com os meus amigos e me esquecer que tinha de ir jantar. Olho com nostalgia a altura do Natal, em que mal dormia na noite de 23 para 24 de Dezembro porque no dia seguinte era véspera de Natal e ia ter cá a família toda para brincar comigo (parente canino incluído... dessa já eu não posso matar as saudades que tenho). Os tempos em que o maior crime que cometia era ir abanando e apalpando cada caixa que estava debaixo da árvore, tentando adivinhar o que o embrulho escondia. No fundo, tenho saudades da minha inocência. Perdia-a, algures entre uma gargalhada e uma lágrima no passado não assim tão longínquo. Hoje, tudo tem uma expressão maior, tudo tem consequências. O maior perigo já não é cair e esfolar os joelhos porque estava a correr e a olhar para trás ao mesmo tempo. O maior perigo, hoje, é ter a certeza que mos vão esfolar e eu ter de fingir que não o senti.

19 de novembro de 2011

Viagem #2

  Este post é a continuação de um post anterior. Ler a primeira parte aqui.

  Nunca tinha pensado que o seu âmago, o seu Eu interior pudesse estar compartimentalizado em apenas três miseráveis portas. Não parecia coerente, logo ela que se considerava alguém bastante complexo, estar reduzida àquilo. Devo estar a gozar comigo própria, só pode - pensou. O seu cérebro fervilhava enquanto tentava decidir qual das frentes devia atacar primeiro. O corpo? Parecia ser a escolha mais simples e mais fácil. Não estava assim tão mau para os olhos incautos, mas para o observador mais atento tudo se tornava subitamente óbvio. O seu Eu material, ainda jovem, carregava todas as marcas das suas amarguras: tinha emagrecido, estava permanentemente doente, adormecer era uma batalha inglória, o sono era uma constante, as olheiras já se tinham tornado numas fiéis inimigas. Qual vítima inocente da sua mente e do seu coração, estava à beira de ceder à pressão daquela sua loucura prolongada. Mas afinal, de que me serve ver e tentar reparar o meu corpo, para depois voltar a morrer aos poucos, brutalmente assassinado como dantes? A Mente. A grande responsável. Era essa a porta que iria abrir primeiro. A mente controla tudo, insistiu novamente. Aproxima-se a passos lentos e cuidadosos da grande massa de madeira nobre encimada pela placa de letras prateadas, ainda a lutar contra o dilúvio mental que tentava travar a todo o custo com barragens e diques de auto-controlo. O seu coração, finalmente, havia acalmado um pouco à medida que se afastou da terceira porta. Retirando o braço direito do enlace que fazia em torno do seu próprio tronco, preparava-se para alcançar a maçaneta da porta quando vislumbrou uma pequena campainha do seu lado direito. Sorriu para si mesma. Afinal, ainda havia ali um pouco dela, no meio daquela sala inóspita. Nunca a porta para a sua mente se abriria de livre vontade, e muito menos empurrada. Tinha de ser persuadida a tal, mesmo que fosse para si própria. Resoluta, tocou. Silêncio. De tudo o que naquela sala ecoava, a água, os seus passos, até as suas gotas de suor pareciam fazer barulho ao escorrer pelo seu peito arfante, a única coisa que deveria fazer um ruído ensurdecedor, nem se ouve. Toca outra vez, maldita tecnologia e maldita humidade, deve ter dado cabo da campainha, realmente não há nada que se aproveite por aqui. Silêncio. Mal se preparava para tocar freneticamente até ouvir algum som de resposta, como se a culpa de todos os males do mundo estivesse concentrada naquela minúscula campainha, a porta moveu-se. Atrás dela apresentava-se uma senhora alta, muito branca, com uns óculos ao peito e um ar afável. Em que posso ajudar? - dizia. Subitamente, um sinal de reconhecimento surgiu nos olhos quarentões da guardiã. Entra, tenho estado à tua espera. Não te esqueças de limpar os pés.