Eu sou apologista de que tudo e todos merecem um segunda oportunidade. Por vezes sou até benevolente demais e dou uma terceira, mais que isso acho abusivo e porra, se à terceira não acertou, é porque a pontaria não vale a ponta de um corno. E depois, existe aquela pessoa que, invariavelmente, desperdiça uma, duas, três, mas que insisto em dar "só mais uma oportunidade" porque sei acreditava que essa pessoa ainda não tinha conseguido mostrar o seu verdadeiro valor, que eu tinha sido muito exigente, que as circunstâncias não tinham ajudado... uma cambada de tretas feitas de trampa cobertas por esterco que eu inventei para me convencer de que valia a pena investir só mais um bocadinho.
"É a última vez", "Já estou farta", ou "É desta que atiro a toalha" foram frases muito proferidas, mas com pouco impacto. Uma e outra vez, lá ia dando a "derradeira" oportunidade, só para a ver desperdiçada, desfeita em cacos numa rua deserta com pouca ou nenhuma luz. Mas tal como nas leis da física para a elasticidade e plasticidade de um material (sim, eu tenho um lado muito nerd, ignorem e passem à frente, juro que isto serve um propósito muito digno) também eu tenho um ponto de ruptura, em que já nada volta a ser o mesmo.
Acabam-se as desculpas, acabam-se os pesos na consciência ("ah e tal, estou a ser arrogante, vou tentar que isto acabe em bem"), acaba-se essencialmente a paciência. Entram as certezas de que qualquer oportunidade que pudesse dar seria um atentado a mim própria e à minha sanidade mental. Nem nada nem ninguém merece oportunidades infinitas, a não ser que essa pessoa seja meu pai, minha mãe, minha irmã, meu (hipotético) filho ou meu sobrinho. Esta lista acaba aqui, pelo menos para mim. Porque os amigos escolhem-se e fazem-se valer porque não temos de lhes dar "oportunidades", eles normalmente agarram na primeira e não precisam de mais, pelo menos de uma maneira geral (sim, não há regra sem excepção). E quem quiser ser mais do que um amigo... tem de se mostrar merecedor até da primeira oportunidade. Porque eu já desperdicei as outras 500 que tinha em mim com quem não lhes deu valor. Por isso minha gente que me lê (e que não deve ter chegado ao fim deste texto), doseiem o que dão. Não acreditem piamente em toda a gente, mas também não desconfiem permanentemente só porque sim. Estejam atentos, dêem o que são aos poucos, seja a quem for. E pelo que a minha curta vida me ensinou, tudo merece uma segunda oportunidade, sim. Quanto à terceira... isso já é uma história completamente diferente.
P.S.: isto não é coisa para ficar aqui muito tempo







