12 de novembro de 2010

Time on my own



Adoro pessoas, apesar de às vezes me desiludirem. Adoro estar em movimento, em convívio, apesar de me dizerem que às vezes consigo ser um bicho-do-mato. Adoro ter memórias de pessoas, do que se disse, das asneiras que se fizeram, dos actos irreflectidos, daquele cigarro que se fumou enquanto se jogava às cartas. Mas por muito que goste de risos e gargalhadas sonoras, de saídas e cafés demorados à noite, também preciso de um pouco de tempo só comigo e com as minhas confusões mentais. Porque só consigo ser "eu" para os outros se tiver tempo para ser "eu" comigo própria. E já confundi tudo outra vez.

1 de novembro de 2010

Cama e Bolo de Chocolate

Não terei muitas mais tardes destas. Daqui a umas semanas (ou já neste fim-de-semana, conhecendo as lides da casa) vou substituir o calor da cama com o edredão de penas pelo braseiro que chega ao sofá em frente à lareira de labaredas dançantes. Hipnotiza-me, o fogo, como mais nada o faz. O ilusionismo das cores inunda-me os olhos e o crepitar assobia-me aos ouvidos, enquanto o seu calor me preenche as minhas everlasting mãos enregeladas. Daqui a um tempo sei que vou estar a convencer a minha mãe a ir fazer chá e torradas para comer em frente à TV e a comprar-me chocolates em forma de estrelas do mar. Daqui a um tempo sei que vou começar a pensar no que RAIO vou oferecer pelo Natal (é nestes momentos que eu me recordo da felicidade que era acreditar no Pai Natal), que as férias estão quase a chegar, que tenho de saber as músicas da banda porque vou ao concerto deles e que os exames estão à porta. Mas, por enquanto, limito-me a deixar-me ficar pela minha doce e confortável cama, enquanto me lambuzo com duas grossas fatias de bolo de chocolate e vejo aqueles filmes que já toda a gente que se preza viu e eu não. Para ser perfeito, só faltava mesmo a chuva lá fora, que sei que não vai resistir a dar ares de sua graça por muito tempo (embora saiba que quando chover eu vou amaldiçoar quem me aparecer à frente só porque tenho os dedos dos pés ensopados). Por agora...há que aproveitar enquanto dá!

20 de outubro de 2010

Entre Compras

Hoje, numa shopping spree completamente em cima do joelho, vi duas coisas que me fizeram sorrir:

- um casalinho de velhotes para os seus 80 e muitos, a passear de braço dado. Há coisa mais adorável? Que tantos anos depois (a não ser que se tenham conhecido no bailarico a semana passada, algo que não me parece muito provável) ainda gostem de andar assim juntinhos como se tivessem 20 anos, como se tivessem a vida pela frente, como se namorassem há dias e ainda estivessem cheios de sonhos por concretizar? Aqueceu-me ver que isto ainda existe :)


- uma criança de um ano a correr atrás dos pombos que habitam a praça do Bocage, com um sorriso de orelha a orelha estampado no rosto. Deu-me vontade de ir correr com ele como se também eu tivesse menos 19 anos em cima e ninguém estivesse a olhar para mim...

 Bem, para dizer a verdade, eu vi uma terceira coisa... talvez se não tivesse sido no meio da Zara me tivesse também arrancado um sorriso: amamentação em público. Assim, à descarada, sem fraldinha a tapar, nada, puxa-se do alimentador e dá-se à criancinha que tem fome para "deleite" de toda a gente que estava à volta. Não tenho nada contra aceder aos desejos de um bebé, e mamas toda a gente já viu, mas pelo menos perca 5 segundos a tirar uma fralda de pano e poupe-me a visão de uma espremedela entre uma camisola e um par de calças no cabide. É que uma pessoa não está à espera, não é?

17 de outubro de 2010

da Dependência

Por muito independentes que queiramos ser, estamos dependentes de tudo e todos, de alguma forma. Estamos dependentes do tempo para vestir aquele vestido que comprámos a semana passada, estamos dependentes dos nossos pais (parasitas como eu que ainda não abandonaram o ninho e nem planeiam fazê-lo enquanto não souberem voar como deve ser) para nos alimentar e nos dar um tecto, estamos dependentes daquele colega que faz o trabalho connosco, do professor para dar os slides da aula, da Companhia das Águas para tomar o banho matinal e dos russos para comer pão ao pequeno-almoço (ou no meu caso, pequeno-almoço, almoço, lanche e jantar, que o que é bom é para se comer), do lado da cama que acordaram os magnatas do petróleo dos Emirados Árabes Unidos para poder por combustível no carro e ir trabalhar ou dos senhores dos comboios não se lembrarem de fazer greve para conseguirmos sair do sítio. Mas estas são as dependências que não conseguimos controlar (vá, tirando a de não ter o seu próprio ganha-pão por enquanto). As outras, aquelas que nós próprios criamos sem darmos por isso, essas sim, são perigosas. Envolve-mo-nos demasiado, aproxima-mo-nos do precipício contando que o mecânico tenha verificado os travões... quando o mecânico somos nós e o travão é a nossa razão.

Mas é preciso arriscar. É preciso encarar o precipício para ver o que se esconde lá em baixo.


9 de outubro de 2010

Instant Happiness

..é acertar na proporção das coisas. É ter motivos para estar chateada e não querer saber. É aproveitar que os amigos estão ali por causa de ti. É saber que se estão ali, no meio daquele temporal, é porque realmente gostam de ti. É viver o momento. É desprenderes-te do que sabes que não tem o valor que às vezes lhe dás. É deixar as coisas à deriva, nem que seja só por uma noite. É deixar os outros fazerem a sua parte. É estar bem contigo-próprio. É reconhecer que se está feliz, mesmo que tenhamos alguma parte da nossa vida de pantanas. Felicidade não se mede...reconhece-se.

6 de outubro de 2010

Alone among the crowd


Solidão no meio da multidão, solidão no meio do calor de um abraço.
Solidão entre olhares compreensivos, solidão entre lágrimas enxugadas com a manga do casaco.
Solidão infundada. Solidão interiorizada.
Solidão.

Companhia. Amanhã será outro dia.

Travo amargo da verdade




30 de setembro de 2010

História de um Candeeiro (e não se ponham com coisas que se escreve "estória", que eu ainda sou da velha guarda)

Era apenas um candeeiro, como tantos outros. Tinha a mesma idade que tantos outros na sua rua, mais ou menos a mesma aparência, a mesma camada de pó que, por acumular de anos e experiências, se foi deixando ficar por lá. Como todos os outros, tinha rachas na pintura, tinha zonas do globo onde a luz já não passava tão facilmente. O tempo tinha deixado as suas marcas. Mas ainda assim, havia qualquer coisa na sua luz, um je ne sais quois que a atraía. Ela, um mosquito como tantos outros, via naquele candeeiro uma luz que não encontrava nos outros, era como que hipnotizada por ele, ainda que soubesse que havia candeeiros muito mais brilhantes e com menos falhas que aquele, todos lho diziam. Noite após noite, esperava que o candeeiro acendesse e lhe desse um pouco da sua luz, ainda que ténue, esperando pacientemente que ficasse tão brilhante como sabe que pode ser, que já foi num dia não tão longínquo quanto isso. No dia em que o candeeiro já não se acendeu para ela, ficou a lembrança da sua luz e do encanto que ela exercia sobre si. Haverão mais candeeiros, como todos dizem. Mas aquele... foi especial.


22 de setembro de 2010

Back on track

É estranho como, tendo estado meses (e nalguns casos, anos) a fio com tudo virado do avesso, num espaço de dias parece que o God All Mighty decidiu ajustar as minhas contas e as das gentes cá de casa.

Não vou reclamar da espera. Talvez tenha sido ela quem nos ensinou a dar o devido valor ao que o merece. Talvez seja isso.

16 de setembro de 2010

Gargalhada das 00h30min



... a ver o programa da Ellen DeGeneres com o senhor do anúncio. E com o anúncio. E com o senhor a repetir as falas do anúncio no programa como se estivesse a anunciar uma marca de lubrificantes. Lindo :D

13 de setembro de 2010

Hang in there

I realized the floor was closer now. There wasn't musch to hold on to, so I dropped. Nobody clapped when I landed, but I sure felt...maybe better isn't the right word to describe it, but at least I can put my mind to rest now.

Note to Self: next time, invest in cushions.

7 de setembro de 2010

Whatever Works

Woody Allen. Não sei se estava no seu melhor ou pior, porque esta vossa ignorante não se lembra de ter visto mais filmes do incontornável, apenas de ler as suas citações. Não vos vou dizer que fiquei louca pelo filme (que ao início é desgastante porque levamos com 15min das filosofias típicas de Allen sobre o Cristianismo e Marxismo, o que concordando ou não com ele, cansa), mas adorei sim, a filosofia do filme. Whatever works. Porque por mais trilhos feitos pela sociedade sobre o certo e o errado, o que é aceitável ou conveniente, o importante é fazer o que resulta para nós e não o que os outros acham que nós devemos fazer (talvez isto explique a minha tendência para não seguir os conselhos que me dão). As pessoas não precisam de ser iguais para serem tudo um para o outro, não precisam de ser da mesma idade, esfera social, com QI aproximado ou sequer heterossexuais ou monógamas. Porque eu não sou sou igual aos outros e o que é certo para mim pode ser abominável para a minha melhor amiga. O que importa, é que funcione!

Bottom line, whatever works is fine by me!