20 de outubro de 2010

Entre Compras

Hoje, numa shopping spree completamente em cima do joelho, vi duas coisas que me fizeram sorrir:

- um casalinho de velhotes para os seus 80 e muitos, a passear de braço dado. Há coisa mais adorável? Que tantos anos depois (a não ser que se tenham conhecido no bailarico a semana passada, algo que não me parece muito provável) ainda gostem de andar assim juntinhos como se tivessem 20 anos, como se tivessem a vida pela frente, como se namorassem há dias e ainda estivessem cheios de sonhos por concretizar? Aqueceu-me ver que isto ainda existe :)


- uma criança de um ano a correr atrás dos pombos que habitam a praça do Bocage, com um sorriso de orelha a orelha estampado no rosto. Deu-me vontade de ir correr com ele como se também eu tivesse menos 19 anos em cima e ninguém estivesse a olhar para mim...

 Bem, para dizer a verdade, eu vi uma terceira coisa... talvez se não tivesse sido no meio da Zara me tivesse também arrancado um sorriso: amamentação em público. Assim, à descarada, sem fraldinha a tapar, nada, puxa-se do alimentador e dá-se à criancinha que tem fome para "deleite" de toda a gente que estava à volta. Não tenho nada contra aceder aos desejos de um bebé, e mamas toda a gente já viu, mas pelo menos perca 5 segundos a tirar uma fralda de pano e poupe-me a visão de uma espremedela entre uma camisola e um par de calças no cabide. É que uma pessoa não está à espera, não é?

17 de outubro de 2010

da Dependência

Por muito independentes que queiramos ser, estamos dependentes de tudo e todos, de alguma forma. Estamos dependentes do tempo para vestir aquele vestido que comprámos a semana passada, estamos dependentes dos nossos pais (parasitas como eu que ainda não abandonaram o ninho e nem planeiam fazê-lo enquanto não souberem voar como deve ser) para nos alimentar e nos dar um tecto, estamos dependentes daquele colega que faz o trabalho connosco, do professor para dar os slides da aula, da Companhia das Águas para tomar o banho matinal e dos russos para comer pão ao pequeno-almoço (ou no meu caso, pequeno-almoço, almoço, lanche e jantar, que o que é bom é para se comer), do lado da cama que acordaram os magnatas do petróleo dos Emirados Árabes Unidos para poder por combustível no carro e ir trabalhar ou dos senhores dos comboios não se lembrarem de fazer greve para conseguirmos sair do sítio. Mas estas são as dependências que não conseguimos controlar (vá, tirando a de não ter o seu próprio ganha-pão por enquanto). As outras, aquelas que nós próprios criamos sem darmos por isso, essas sim, são perigosas. Envolve-mo-nos demasiado, aproxima-mo-nos do precipício contando que o mecânico tenha verificado os travões... quando o mecânico somos nós e o travão é a nossa razão.

Mas é preciso arriscar. É preciso encarar o precipício para ver o que se esconde lá em baixo.


9 de outubro de 2010

Instant Happiness

..é acertar na proporção das coisas. É ter motivos para estar chateada e não querer saber. É aproveitar que os amigos estão ali por causa de ti. É saber que se estão ali, no meio daquele temporal, é porque realmente gostam de ti. É viver o momento. É desprenderes-te do que sabes que não tem o valor que às vezes lhe dás. É deixar as coisas à deriva, nem que seja só por uma noite. É deixar os outros fazerem a sua parte. É estar bem contigo-próprio. É reconhecer que se está feliz, mesmo que tenhamos alguma parte da nossa vida de pantanas. Felicidade não se mede...reconhece-se.

6 de outubro de 2010

Alone among the crowd


Solidão no meio da multidão, solidão no meio do calor de um abraço.
Solidão entre olhares compreensivos, solidão entre lágrimas enxugadas com a manga do casaco.
Solidão infundada. Solidão interiorizada.
Solidão.

Companhia. Amanhã será outro dia.

Travo amargo da verdade




30 de setembro de 2010

História de um Candeeiro (e não se ponham com coisas que se escreve "estória", que eu ainda sou da velha guarda)

Era apenas um candeeiro, como tantos outros. Tinha a mesma idade que tantos outros na sua rua, mais ou menos a mesma aparência, a mesma camada de pó que, por acumular de anos e experiências, se foi deixando ficar por lá. Como todos os outros, tinha rachas na pintura, tinha zonas do globo onde a luz já não passava tão facilmente. O tempo tinha deixado as suas marcas. Mas ainda assim, havia qualquer coisa na sua luz, um je ne sais quois que a atraía. Ela, um mosquito como tantos outros, via naquele candeeiro uma luz que não encontrava nos outros, era como que hipnotizada por ele, ainda que soubesse que havia candeeiros muito mais brilhantes e com menos falhas que aquele, todos lho diziam. Noite após noite, esperava que o candeeiro acendesse e lhe desse um pouco da sua luz, ainda que ténue, esperando pacientemente que ficasse tão brilhante como sabe que pode ser, que já foi num dia não tão longínquo quanto isso. No dia em que o candeeiro já não se acendeu para ela, ficou a lembrança da sua luz e do encanto que ela exercia sobre si. Haverão mais candeeiros, como todos dizem. Mas aquele... foi especial.


22 de setembro de 2010

Back on track

É estranho como, tendo estado meses (e nalguns casos, anos) a fio com tudo virado do avesso, num espaço de dias parece que o God All Mighty decidiu ajustar as minhas contas e as das gentes cá de casa.

Não vou reclamar da espera. Talvez tenha sido ela quem nos ensinou a dar o devido valor ao que o merece. Talvez seja isso.

16 de setembro de 2010

Gargalhada das 00h30min



... a ver o programa da Ellen DeGeneres com o senhor do anúncio. E com o anúncio. E com o senhor a repetir as falas do anúncio no programa como se estivesse a anunciar uma marca de lubrificantes. Lindo :D

13 de setembro de 2010

Hang in there

I realized the floor was closer now. There wasn't musch to hold on to, so I dropped. Nobody clapped when I landed, but I sure felt...maybe better isn't the right word to describe it, but at least I can put my mind to rest now.

Note to Self: next time, invest in cushions.

7 de setembro de 2010

Whatever Works

Woody Allen. Não sei se estava no seu melhor ou pior, porque esta vossa ignorante não se lembra de ter visto mais filmes do incontornável, apenas de ler as suas citações. Não vos vou dizer que fiquei louca pelo filme (que ao início é desgastante porque levamos com 15min das filosofias típicas de Allen sobre o Cristianismo e Marxismo, o que concordando ou não com ele, cansa), mas adorei sim, a filosofia do filme. Whatever works. Porque por mais trilhos feitos pela sociedade sobre o certo e o errado, o que é aceitável ou conveniente, o importante é fazer o que resulta para nós e não o que os outros acham que nós devemos fazer (talvez isto explique a minha tendência para não seguir os conselhos que me dão). As pessoas não precisam de ser iguais para serem tudo um para o outro, não precisam de ser da mesma idade, esfera social, com QI aproximado ou sequer heterossexuais ou monógamas. Porque eu não sou sou igual aos outros e o que é certo para mim pode ser abominável para a minha melhor amiga. O que importa, é que funcione!

Bottom line, whatever works is fine by me!

4 de setembro de 2010

Being Drunk

Local: Festa das Vindimas, Palmela
Companhia: boa gente e duas garrafas de Moscatel
State of mind: a precisar de uma bebedeira

Reflectindo nas parvoeiras que iria escrever neste post, descobri que já passei por pelo menos 4 tipos de bebedeira:
1- Bededeira Pezinhos-de-lã: aquela que mal se dá conta que se está a ficar quente, já se corre para o wc mais próximo
2- Bebedeira Estou-Tão-Feliz-Que-Já-Não-Tenho-Noção-Do-Que-Me-Sai-Pela-Boca-Fora:  aquela em que só rimos e rimos e rimos e dizemos coisas que noutro estado nunca teríamos coragem de dizer
3- Bebedeira Depressiva: não importa o que bebeste, vais acabar a chorar e bem
4- Bebedeira Revelação: para esta convém ter molhado bem a garganta. É uma mistura com a Bebedeira Depressiva, mas esta tem resultados magníficos, dá uma luz diferente ao que nos fez imitar uma Madalena arrependida, em vez de nos limitarmos a dizer "mas porquê eu?!?" como na Depressiva.


A minha última foi do tipo 4. E valeu todas as gotinhas que ingeri e que mais tarde me deram aquela ressaca. Nunca eu pensei que uma bebedeira fosse melhor que um psicólogo. Ensinou-me a Teoria da Relatividade melhor que o próprio Einstein o poderia ter feito, e o lâcher prise melhor que qualquer pessoa minimamente espiritual. Porque as coisas só têm a importância que nós lhes damos. And I'm slowly letting go.






31 de agosto de 2010

...

É bom que o pote de ouro esteja lá, incólume e reluzente, à minha espera... porque eu estou a chegar ao fim do meu arco-íris.

23 de agosto de 2010

Clarificações.

O tempo não cura absolutamente nada. O tempo relativiza os problemas, as incoerências, ensina a perdoar, desvanece os comentários ácidos e compensa-os com boas memórias.
O tempo não faz esquecer... o tempo enaltece o que houve de bom e enterra em sepultura superficial o que nos apodreceu.
O tempo esconde as lições duras que nos caíram em cima e nos deixaram desarmados, apenas para que nos possamos voltar a levantar e revitalizar corpo e,essencialmente, a mente. Com isto clarifica o que dantes nos parecia coberto por densas camadas de nevoeiro cerrado e torna visíveis as nódoas negras que nós teimamos em tapar. Aquelas que nem sabíamos que tínhamos, aquelas que nem julgávamos ser possível serem infligidas.

O tempo, meus amigos, não é o nosso maior aliado... mas é o melhor que temos.